quinta-feira, 26 de abril de 2007

03: pipocas têm o direito de amar

creio que o caro leitor ainda não teve ainda a oportunidade de ler um outro blog meu chamado "o refrigerante de férias".
mas ele nem tem nada a ver com isso, é só divulgação mesmo.

quando o carro passou pela rua, separou as pipocas que estavam no caminho, mandando elas pastarem em dois grupos
assim a pipoca "A" foi separada da "B". por um outro incidente casual desses do destino, a pipoca b encontrou a pipoca c no seu caminho. o vento as levou para onde ninguem as comeria mais com manteiga. não durou muito, logo esse mesmo vento as agitava nas escadarias do pelô (pelourinho). pondo-as no canto a parede. espremidas, as pipocas b e c machucavam uma à outra sem querer. um gemido da pipoca c fez a pipoca d achar que a havia ferido no íntimo dos sentimentos, e ela se dispôs a chorar copiosamente. lembrando de sua infância, quando fora deixada bater na tampa de uma panela sem uma mão pipocática amiga, se abraçou à pipoca c. a mente girava demais e escritor não conseguia parar. construía-se assim uma linda e maravilhosa e emocionante e comovente história de amor.

quando na noite quente a lua ficou inchada, uma fresta de luz as trespassou, e os olhos da pipoca se cegaram e ela não via mais nada
tudo o que pipoca c falava nao fazia sentido e ela se lembrou de como era diferente ser guiada por pipoca a. pipoca c ficou magoada e não sabia lidar com seus sentimentos pipocais e resolveu chorar. as lágrimas de ambas as pipocas as molhavam e elas se sufocaram em seu pranto.

fico pensando no que teria acontecido se elas consolassem uma ao pranto da outra. a vento não as levou, pois estavam pesadas. na primeira chuva que elas desejam tomar juntas, foram separadas.

pipocas deveriam amar mais. elas deveriam compreender o que estão vivendo dentro de si. as pipocas amam. não perca seu amor. nunca queira perder.

se você souber esperar será recompensado.

quando a água as lavou e as deixou de volta ao estado de milho, estavam juntas novamente. elas se amaram com o criador lhes permitiu.

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